Quarta, 27 de Agosto de 2008

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“Ensaio Sobre a Cegueira” no portal de notícias “G1″

Publicado por admin em 27 Ago 2008 | sob: Sem Categoria

Notícia originalmente publicada no portal de notícias “G1″, no dia 27 de Agosto de 2008.

Fernando Meirelles lança ‘Ensaio sobre a cegueira’ e rejeita Hollywood

Diretor brasileiro esclarece que o filme é uma co-produção entre Brasil, Japão e Canadá.
E afirma que, apesar de ter recebido propostas de Hollywood, prefere continuar recusando.

Débora Miranda
Do G1, em São Paulo

Fernando Meirelles participou nesta segunda-feira (25) de uma entrevista coletiva para a imprensa em São Paulo, parte do lançamento de “Ensaio sobre a cegueira”, seu mais novo filme, baseado no livro homônimo de José Saramago, que estréia em 12 de setembro. O diretor brasileiro estava acompanhado da atriz Alice Braga e da americana Julianne Moore, além de produtores e outros profissionais que participaram do longa.

Blindness Coletiva - Blindness Coletiva

Alice Braga, Fernando Meirelles e Julianne Moore, junto da equipe do filme, em ntrevista coletiva para a imprensa realizada nesta segunda-feira (25)

Na primeira oportunidade que teve de falar, Meirelles fez questão de esclarecer: “Li algumas reportagens afirmando que o filme é uma produção hollywoodiana, e não é. É uma co-produção entre Canadá, Japão e Brasil.” Na seqüência, o diretor ainda completou que “O jardineiro fiel” foi uma produção independente e que, apesar de já ter recebido convites para trabalhar em Hollywood, pretende “continuar não aceitando”.

“Ensaio sobre a cegueira” conta a história de uma epidemia de cegueira que domina a população de uma cidade não-identificada, causando caos, tumulto e violência. Como a princípio acredita-se que a cegueira é contagiosa, os doentes são trancafiados em um sanatório, onde precisam aprender a sobreviver e superar as limitações, não apenas de não enxergar, mas também com o racionamento de comida.

Julianne Moore interpreta a única mulher que ainda consegue ver. Esposa de um médico oftalmologista (Mark Ruffallo), ela se faz passar por cega para acompanhar o marido na “internação”. “Estou muito empolgada em ter participado do filme. Faria qualquer coisa que o Fernando me pedisse”, disse a atriz que declarou não apenas sua admiração pelo cineasta, mas também pelo Brasil. “Fiquei encantada pelo país quando viemos filmar, agora voltei de férias com meus filhos.”

Moore disse que o estilo realista dos filmes de Fernando Meirelles a interessava muito. “Você não vê atuações, vê as pessoas. Isso é muito particular no estilo dele fazer cinema.” A atriz falou também a respeito da obra de Saramago. “Quando li o roteiro, fiquei muito impressionada com a linguagem. Procurei o livro e me deparei com aquele estilo fabuloso do Saramago, sofisticado, lúcido.”

Alice Braga, que tem Meirelles como seu padrinho pelo trabalho em “Cidade de Deus”, também afirmou se sentir honrada em participar do longa e disse que depositou total confiança no cineasta. “Esse filme, para mim, foi um projeto especial. Um reencontro com o Fernando, amigo querido e especial. Além disso, esse é um dos meus livros preferidos”, afirmou.

“Ensaio Sobre a Cegueira” é destaque na Folha Ilustrada

Publicado por admin em 27 Ago 2008 | sob: Sem Categoria

Matéria originalmente publicada no caderno Ilustrada, do jornal “Folha de São Paulo”, do dia 27 de Agosto de 2008.

‘Cegueira’ muda

Após exibição de “Ensaio sobre a Cegueira” no Festival de Cannes, diretor Fernando Meirelles exclui narração em “off”, acrescenta uma cena e modifica outra para a estréia do longa no Brasil, no próximo dia 12

Julianne Moore Ilustrada - Julianne Moore Ilustrada

A atriz Julianne Moore como a mulher do médico, cujas intenções eram narradas em locução eliminada

SILVANA ARANTES
DA REPORTAGEM LOCAL

“Ensaio sobre a Cegueira”, o longa de Fernando Meirelles que estréia no próximo dia 12, não é exatamente o mesmo “Ensaio sobre a Cegueira” com que o diretor abriu o Festival de Cannes, em 14 de maio.
Meirelles modificou o filme, após o festival, onde sua versão para o livro homônimo do Nobel de Literatura português José Saramago recebeu mais críticas severas do que favoráveis.
A principal mudança é a subtração da narração em “off” (com a voz superposta às imagens) feita pelo personagem do velho com a venda (Danny Glover). Por ser um narrador onisciente, o velho com a venda é tido como alter ego de Saramago na trama sobre uma epidemia de cegueira que atinge toda a população, exceto a mulher do médico, interpretada pela norte-americana Julianne Moore.
A narração descrevia sobretudo os sentimentos e intenções da mulher na segunda parte da história, em que os personagens estão encarcerados.
“Foi uma decisão dura de se tomar, mas achei que ficava melhor sem a narração”, afirma Meirelles, que saiu de Cannes “com essa pulga atrás da orelha, achando que a narração estava explicando, atrapalhando”.
O diretor consultou Saramago sobre a mudança. Foi desaconselhado a fazê-la. O escritor viu o filme em sessão privada em Lisboa, três dias após a estréia no Festival de Cannes.
De volta ao Brasil, no entanto, o cineasta reviu diversas vezes o filme, “testando-o com e sem a narração”. Optou por eliminá-la, mas não por inteiro. Três trechos foram mantidos.
Nos pontos em que a locução foi suprimida, as cenas foram ligeiramente encurtadas.

Ladrão

Outra mudança foi o acréscimo de uma cena envolvendo o ladrão, vivido por Don Mckellar, que é também roteirista do filme, e o primeiro personagem a ficar cego (Yusuke Iseya).
Na versão exibida em Cannes, o ladrão sumia com o carro do cego, abandonando-o no meio da rua. Os dois só voltavam a se encontrar no “hospital” improvisado pelo governo.
A cena acrescentada mostra o ladrão retornando ao encontro do cego e o acompanhando no caminho do elevador até seu apartamento. O modo como o cego se desembaraça da presença do ladrão e aguarda a chegada da mulher também foi integrado à nova versão.
Em sessões-teste com público realizadas antes de o filme ter seu primeiro corte “final”, as cenas de estupro foram as mais criticadas. Meirelles suavizou-as, de acordo com o desejo dos espectadores.
“Senti que aquilo desconectava o espectador. A partir daquele momento, ele ficava contra o filme”, diz. Para a estréia nos cinemas, o diretor fez outra alteração nessas cenas, intensificando sua iluminação.
Na projeção em Cannes, o cineasta achou que a imagem estava escurecida demais, o que dificultava ao espectador identificar o grande vilão desta passagem, interpretado pelo mexicano Gael García Bernal.
O impacto das modificações na duração total do longa é de apenas um minuto -saltou de 120 para 121 minutos.
O filme “ficou mais simples” com as mudanças, na opinião de Meirelles. “Mas, se eu for ver de novo, vou ficar mudando. A solução é nunca mais assistir.”

Julianne Moore entrevistada pelo jornal “O Estado de São Paulo”

Publicado por admin em 27 Ago 2008 | sob: Sem Categoria

Faltando 16 dias para a estréia de “Ensaio Sobre a Cegueira” nas salas de cinema brasileiras, a imprensa volta suas atenções para Julianne Moore, que esteve no país para promover o filme ao lado de Fernando Meirelles e Alice Braga.

A matéria abaixo foi originalmente publicada no Caderno 2 do jornal “O Estado de São Paulo” no dia 27 de Agosto de 2008.

Julianne Caderno2 1 - Julianne Caderno2 1

O olhar de Julianne

No Brasil para divulgar Ensaio sobre a Cegueira, que estréia no dia 12, a americana fala sobre a riqueza metafórica do filme de Meirelles e do livro de Saramago

Luiz Carlos Merten

Julianne Moore diverte-se com a observação do repórter, que foi procurar na internet e encontrou a indicação de que ela está envolvida atualmente em cinco ou seis projetos. “Quer dizer que eu sou a mais popular da rede, então?”, ela ri gostosamente. Segundo um site de pesquisa, Julianne tem Ensaio sobre a Cegueira para estrear, Hateship, Friendship, Courtship concluído, Shelter em pós-produção, The Private Lives of Pippa Lee sendo filmado e mais dois filmes anunciados - Boone?s Lick, que já estaria em pré-produção, e Morgan?s Summit, em produção. “Nooooo (Nãooooo), não estou filmando nada neste momento. Estava agora na Amazônia, numa viagem de férias com meu marido e filhos. Viajamos pelo Rio Negro, o que foi muito interessante. Vim diretamente para São Paulo, vou ao Rio rapidinho e volto para casa, em Nova York. Meu próximo projeto é um filme com Bart (o marido, Bart Freundlich, que a dirigiu em Totalmente Apaixonados).”

Julianne está no Brasil participando da campanha de lançamento de Ensaio sobre a Cegueira. O filme que Fernando Meirelles adaptou do romance de José Saramago estréia dia 12 em 100 salas de todo o País. Menos de duas semanas depois, Blindness estará estreando nos EUA e aí, sim, será um lançamento enorme - 1.500 cópias. O próprio Meirelles acha exagerado. “Eles me dizem que estão fazendo isso porque confiam no potencial do filme, mas, com toda sinceridade, acho que estão é com medo das críticas. Tivemos já, nos EUA, algumas críticas boas, mas a da Variety, em Cannes (onde o filme passou na noite de abertura), foi muito restritiva. Quando não confiam nas críticas, ou acham que serão negativas, os estúdios fazem lançamentos grandes para faturar rapidamente, antes que o filme morra no boca-a-boca”, avalia o diretor.

Meirelles encontrou-se com o repórter do Estado segunda-feira à tarde no Hotel Hyatt da Marginal Pinheiros. Há uma muvuca no corredor do primeiro andar. Meirelles e suas duas atrizes - Julianne Moore e Alice Braga - estão dando as entrevistas de Ensaio sobre a Cegueira. Jornalistas esperam, assessores correm de um lado para outro. Julianne está sentada, serena. É extremamente simpática - e cordial - com o repórter, mas na seqüência ela vai pedir que as entrevistas não sejam mais acompanhadas pela presença do fotógrafo, porque ele fica caminhando e clicando e isso lhe tira a concentração. Não chega a ser um incidente, nem lhe tira o humor, mas confirma o que o diretor de fotografia César Charlone já dissera ao repórter, anteriormente. Julianne é, como Ralph Fiennes - com quem Meirelles e ele fizeram O Jardineiro Fiel - , uma atriz de cinema. Representa para a câmera. “Julianne quer sempre saber a posição da câmera, a lente. Delimitado o espaço, e consciente disso, fica à vontade para atuar.”

Ela gostou muito de São Paulo (?uma cidade moderna, arrojada”) e, por motivos opostos, de Montevidéu, onde Cegueira também foi filmado (”Tem um charme antigo”). Julianne não havia lido o romance de Saramago, quando o roteiro lhe foi enviado. “Achei muito bem escrito e, ao mesmo tempo, intrigante, porque os personagens não têm nome e, na verdade, não sabemos muita coisa deles, do seu passado. Tudo o que sabemos vem da construção das cenas, dos seus diálogos e gestos. Isso é bem próprio do método de Fernando (Meirelles) e eu queria muito trabalhar com ele.” Julianne adorou City of God (Cidade de Deus) e O Jardineiro Fiel. “Fernando é um grande contador de histórias, conta histórias que me atraem e eu gosto do método dele de trabalhar com o elenco. Sabia que ele improvisa muito com os atores, que reinventa as cenas no set. Muitas das indicações que tive para construir minha personagem em Cegueira vieram dele, diretamente. Não estavam escritas, talvez sugeridas, mas o olhar de Fernando é que vale.”

Embora tenha participado de filmes de ação - Assassinos, de Richard Donner, com Sylvester Stallone; Hannibal, de Ridley Scott; e Os Esquecidos, de Joseph Ruben -, Julianne privilegia, em suas escolhas, o chamado cinema de autor. Ela se aplica nessas cenas de correrias e tiroteios, mas sabe que lhe caem muito melhor a tensão e o silêncio de filmes mais concentrados, como os de Todd Haynes e Tom Kalin. São dois de seus autores preferidos. Haynes lhe ofereceu um grande papel em Longe do Paraíso (e depois ela teve uma pequena, mas importante, participação em I?m not There). Kalin fez dela a mãe incestuosa de Pecados Inocentes (Savage Grace). Foram papéis que ela amou representar, personagens ambíguas, matizadas, mas antes mesmo que tenha tempo de responder à pergunta - tem algum favorito, entre os filmes que fez -, o próprio repórter se antecipa e diz que tem o dele, Fim de Caso, de Neil Jordan, com Ralph Fiennes, baseado no romance de Graham Greene. “Adoro. Também é um dos meus favoritos. Uma história de redenção e perdão muito bonita.” A redenção da humanidade também é, de alguma forma, o tema de Ensaio sobre a Cegueira, onde as pessoas, atingidas por uma epidemia, vivem essa cegueira branca que as fragiliza e também fortalece, numa metáfora sobre o próprio mundo. O casal formado por Julianne e Mark Ruffalo passa por uma transformação.

No começo, ele é um médico, um oftalmologista de sucesso, ela é uma dona de casa um pouco tonta. A cena inicial não chega a expressar uma crise entre ambos, mas mostra um cansaço da relação. Ao longo do relato, esse homem que pensa que é líder vai revelar sua fraqueza, vítima da cegueira branca. A personagem de Julianne, por ser a única que enxerga, assume a liderança não só da relação, mas do núcleo de personagens centrais. Foi difícil fazer a única personagem que consegue ver, num filme sobre a cegueira? “Você diz, tecnicamente? Nãoooo. Mark (Ruffalo), Alice (Braga) e Danny (Glover) tiveram de se preparar para ver sem enxergar. Minha personagem é muito mais uma testemunha.” A riqueza metafórica do livro recebe um comentário acurado. “Vivemos num mundo em que as pessoas se recusam a ver o que está diante de sua cara. Continuamos gastando combustível e poluindo o planeta, como se isso não pudesse ameaçar nossa sobrevivência enquanto espécie.” Enquanto pode, ela curte sua família, sua cidade (”Amo Nova York”) e a carreira. Julianne já recebeu várias indicações para o Oscar, mas nunca o prêmio da academia. Ela irá de novo para o Oscar com Ensaio sobre a Cegueira? “Não sei, isso é sempre imprevisível”, ela diz. Lhe agradaria receber o prêmio? “Todo mundo gosta de ser reconhecido no que faz, mas o fato de não ter o Oscar não me tira o sono”, conclui.