Setembro 2008

Arquivo Mensal

Fernando Meirelles fala sobre “Som e Fúria” no UOL

Publicado por admin em 23 Set 2008 | sob: Sem Categoria

Fernando Meirelles, em entrevista para o Portal UOL, falou sobre a minissérie “Som e Fúria”, produzida pela O2 para a Rede Globo.

Video originalmente publicado na página UOL Mais, no portal UOL, em 12 de setembro às 22:41.

Fernando Meirelles no OmeleTV - Parte 2

Publicado por admin em 23 Set 2008 | sob: Sem Categoria

Confira a 2ª parte da entrevista do site de entretenimento Omelete (www.omelete.com.br) para o OmeleTV.

Essa 2ª parte foi dividida devido ao tamanho do vídeo. Confira:

O videopodcast do Omelete é uma parceria com a enxame.tv e tem produção da Colméia.

O2 via IPhone na IstoÉ Dinheiro

Publicado por admin em 22 Set 2008 | sob: Sem Categoria

Segue abaixo o recorte da revista IstoÉ Dinheiro de 24 de Setembro, onde há uma nota à respeito do lançamento do Site da O2 via IPhone. A matéria está destacada em vermelho.

Isto    Dinheiro   24 setembro - Isto    Dinheiro   24 setembro

Crítica de Calligaris para “Ensaio Sobre a Cegueira”

Publicado por admin em 18 Set 2008 | sob: Sem Categoria

Originalmente publicado na Folha de São Paulo em 18 de setembro de 2008, na folha Ilustrada.

Blind 0550 - Blind 0550

“Ensaio sobre a Cegueira”

Somos capazes de tudo: o apocalipse nos testa e nos revela a nós mesmos e ao mundo

GOSTO DOS romances e dos filmes apocalípticos, ou seja, das histórias em que algum tipo de fim do mundo (guerra nuclear, invasão extraterrestre, epidemia etc.) nos força a encarar uma versão laica e íntima do Juízo Final. Nessa versão, Deus não avalia nosso passado, mas, enquanto o mundo desaba, nosso desempenho mostra quem somos realmente. No desamparo, quando o tecido social se esfarela e as normas perdem força e valor, conhecemos, enfim, nosso estofo “verdadeiro”. Somos capazes do melhor ou do pior: o apocalipse nos testa e nos revela.
O primeiro romance apocalíptico (de 1826) talvez tenha sido “O Último Homem” (ed. Landmark), de Mary Shelley, que é também a autora de “Frankenstein”. De fato, as duas obras são animadas pelo mesmo sonho: uma criatura radicalmente nova pode ser fabricada no bricabraque de um necrotério ou nascer das cinzas da civilização. Em ambos os casos, ela será sem história, sem ascendência, sem comunidade e, portanto, penosamente livre - para o bem ou para o mal.
No romance de Mary Shelley, aliás, a causa da catástrofe é uma epidemia, como na “Peste”, de Camus, e como no “Ensaio sobre a Cegueira”, de Saramago, que é agora levado para o cinema por Fernando Meirelles.
A obra de Meirelles é fiel ao livro que a inspira, mas, para contar a mesma história, consegue inventar uma eloqüência própria, sutil e forte. Por exemplo, o filme banha numa luz esbranquiçada e difusa que não é apenas (como foi dito e repetido) uma evocação da cegueira branca que aflige a humanidade: é a atmosfera ordinária de nosso universo desbotado, em que a trivialidade do cotidiano desvanece os contrastes - até que as sombras e os brilhos sejam revelados na “hora do vamos ver”, que acontece, paradoxalmente, porque todos (ou quase todos) perdem a visão.
Depois de assistir ao filme, li algumas das críticas que ele recebeu em Cannes. A nota de Manohla Dargis, no “New York Times” de 16 de maio, por exemplo, é paradoxal: Dargis acusa o filme de ser uma Alegoria com “A” maiúscula, em que, aos personagens, faltaria espessura. Certo, os personagens de “Ensaio sobre a Cegueira” quase não têm história prévia, assim como a cidade em que os fatos acontecem (uma mistura de São Paulo com Toronto) é uma cidade moderna qualquer, cujas particularidades não contam. Essa, justamente, é a beleza do gênero: o surgimento quase abstrato de uma situação extrema, em que se trata de escolher e agir a partir de nada. O passado, o lugar não contam: os personagens são definidos por suas escolhas aqui e agora.
Dargis também se queixa da oposição que lhe parece excessiva, no filme, entre “os bons” e “os ruins”, ou seja, entre os que, na cegueira, descobrem e aprimoram sua humanidade e os que a perdem. É uma queixa curiosa, pois, em quase todas as narrativas apocalípticas, a contraposição de retidão e bestialidade é o sinal de uma liberdade quase absoluta, angustiante: o fim do mundo é um bívio sem leis, sem flechas, sem compromissos, onde qualquer um pode escolher o horror ou a esperança. A oposição caricata dos bons e dos ruins expressa a incerteza do espectador, do leitor e do autor: “Você, se, por uma misteriosa epidemia, o mundo ficar cego, se o reino da lei acabar e começar a idade da luta pela sobrevivência, de que lado estará? Do lado dos que inventarão novas formas de abusos ou dos que descobrirão novas formas de respeito e de vida comum? Uma vez perdida a visão, o que você enxergará no seu vizinho: mais uma mulher para estuprar e um otário para explorar ou um irmão, perdido que nem você?”
No “Ensaio sobre a Cegueira” (de Meirelles e de Saramago), diferente do que acontece em muitas narrativas apocalípticas, a heroína é uma mulher, e as mulheres são as depositárias da esperança; elas saem engrandecidas pelas provas da situação extrema.
São elas que, para o bem de todos, entregam-se aos estupradores, aviltando não elas mesmas mas os que as violentam, com uma coragem que salienta a covardia dos maridos ciumentos ou zelosos de sua “honra”. São elas que sabem cuidar de uma criança ou matar quando é preciso. São elas que reinventam a amizade (em cenas memoráveis: a das mulheres lavando o corpo da companheira espancada à morte e a das mulheres no chuveiro).
Aviso, caso, um dia, a gente tenha que recomeçar tudo do zero: em geral, as mulheres sabem, melhor do que os homens, o que é essencial na vida.

Por Contardo Calligaris.

Fernando Meirelles em entrevista para a OmeleTV

Publicado por admin em 18 Set 2008 | sob: Sem Categoria

O Omelete (http://www.omelete.com.br), site de entretenimento que fala sobre cinema, televisão, games, etc, entrevistou o diretor Fernando Meirelles nessa semana. No quadro OmeleTV, Marcelo Forlani e Érico Borgo conversaram com Fernando sobre “Cidade de Deus” e Screen Tests.

A entrevista terá 2 partes sendo que, uma está abaixo e a parte 2 sairá na próxima sexta-feira, dia 19. Confira:

O videopodcast do Omelete é uma parceria com a enxame.tv e tem produção da Colméia.

Charges do Roda Viva

Publicado por admin em 17 Set 2008 | sob: Sem Categoria

No último dia 08/09 (segunda-feira), o diretor Fernando Meirelles foi entrevistado no programa Roda Viva na TV Cultura.

Em meio à entrevista, o cartunista Paulo Caruso, como usual, desenha charges mostrando sua visão sobre o que é contado no programa. Confira abaixo as charges de Fernando por Paulo Caruso:

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Uma curiosidade: o cartunista Paulo Caruso é pai do jovem diretor Paulinho Caruso, da O2 Filmes e O2 Digital.

Entrevista com Luis Carone para a Skol Beats

Publicado por admin em 16 Set 2008 | sob: Sem Categoria

O diretor Luis Carone, que dirigiu o filme “Mãos Voadoras” para a Skol Beats, foi entrevistado pela equipe do festival.

Segue abaixo, a notícia, originalmente publicada no site da Skol Beats:

Lado B: conheça o diretor da nova campanha do Skol Beats Luis Carone
10.09.08 | 01:57 pm

Carone - Carone

Luis Carone, jovem cineasta, começou a trabalhar muito cedo com computação gráfica, quando tinha apenas 14 anos. Aos 16, já era free-lancer de produtoras como Vetor Zero, Lobo e Ad Studio. O passo seguinte foi desembarcar em Londres para trabalhar na The Mill, produtora de finalização do diretor Ridley Scott.
Logo se destacou no meio e ganhou dois prêmios como melhor diretor no Video Music Brasil da MTV, com os clipes “Você Sabe”, da banda Autoramas, feito em 2005, e “Convicted in Life”, do Sepultura, lançado em 2006.

Desde setembro de 2006, Luis é diretor da O2 Filmes, onde trabalha com comerciais. Em 2008, ele foi nomeado um dos 30 talentos do ano pela SHOOT Magazine, respeitada publicação norte-americana na área de Publicidade e Propaganda.

O Skol Beats escolheu o prestigiado diretor para dirigir sua nova campanha. O video já pode ser visto na programação dos principais canais de tevê. Nele, o protagonista é uma mão gigante que sublinha o conceito da nona edição do evento que rola no próximo dia 27: “Tá na sua mão”.

A campanha acontece em conjunto com a ação “Hands Parade”, uma exposição itinerante com cinco mãos gigantes que pesam 250 quilos cada. As mãos serão expostas até o dia 27 de setembro em grandes boates de São Paulo, Campos do Jordão e Litoral Norte, além de shoppings e hipermercados.

Nome completo: Luis Carone

Apelidos (e origem deles): Lubas (um amigo meu colocava “bas” no final de todos os nomes = Daniel “Danibas”, etc.)

Profissão: Diretor Cinematográfico

Uma imagem da infância: Fazenda

Herói: Meu Pai

Três discos que marcaram sua vida:

Back in Black - ACDC
T.N.T. - ACDC
Paranoid - Black Sabbath

Um livro que já releu: Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva

O lugar preferido da cidade: Minha Casa - duh!

Melhor dia pra curtir a cidade: Quinta

Um lugar para poucos: Minha Fazenda

Estar completo é…: Não ter hora para acordar no dia seguinte, após de ter terminado um longo trabalho

Música pra levantar o astral…: “Ace of Spades” - Motorhead

Melhor cineasta de todos os tempos…: “era” o Coppola

Um filme que mudou minha vida…: Irreversível

Rádio, tevê, impresso ou internet? Internet

Um show/espetáculo inesquecível: Jurassic 5 - Santo André

Coisa que te irrita: Perguntas

Uma fria que gostou de ter entrado: O último filme do Skol Beats

Rango (tipo de comida e indicação de restaurante): Hamburguinho - XSalada da madruga

Gostaria de conhecer pessoalmente: Meu Avô, pai do meu pai

Bebida: Whisky

Se pudesse nascer de novo, seria…: Águia?

Ditado de vó predileto: Pulo

O que o Brasil representa pra você: Trancos e barrancos

Contando, ninguém acredita…: Tenho 24 anos

Vem comigo pr’uma ilha: Minha garota

Quando criança sonhava em ser…: Mecânico

Novas publicações sobre Fernando Meirelles na Folha de São Paulo

Publicado por admin em 12 Set 2008 | sob: Sem Categoria

Matérias originalmente publicadas na Folha Ilustrada no dia 12 de setembro.

teste de visão

Após desdém da crítica em Cannes e aval de Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira” se submete hoje, enfim, à prova do público

julianne - julianne

“Ensaio sobre a Cegueira”, quarto longa do diretor brasileiro Fernando Meirelles, 53, estréia hoje em 95 cinemas brasileiros e, no fim do mês, em 1.500 salas dos Estados Unidos. Co-produzido por Japão, Canadá e Brasil com R$ 41,4 milhões, o filme teve no 61º Festival de Cannes, em maio, um lugar de honra -a sessão de abertura, em competição pela Palma de Ouro. Mas a reação da maioria da crítica presente ao festival foi de desapontamento. Na entrevista a seguir, Meirelles conta como o escritor português José Saramago, autor do livro no qual o filme se baseia, ajudou-o a recobrar a confiança no filme, fala de sua relação com a crítica e revela que o longa tem de arrecadar cerca de R$ 90 milhões nas bilheterias para remunerar o investimento dos produtores.

FOLHA - Você diz ser movido a desafios. Neste caso, o desafio era filmar um livro tido como infilmável?
FERNANDO MEIRELLES - Era filmar uma história que não se tem por onde pegar. É um filme sobre uma doença que não existe nem nunca vai existir, numa cidade que não existe, com personagens que não têm nem nome nem história. É pura invenção. Eu tinha medo. Pensava em como o espectador iria se interessar por uma história que não tem nada a ver com ele. A primeira coisa que falam nos manuais de roteiro americanos é sobre a identificação com o personagem, para grudar o espectador. Essa possibilidade o filme não tinha. Não contamos quem são os personagens.

FOLHA - O desafio foi vencido?
MEIRELLES - Não sei. Vamos ver como o espectador reage. Mas foi a coisa que mais me angustiou. Eu assistia e falava: tem uma frieza aí. É claro que tem. Se eu mostrasse duas cenas daquele japonês antes de ficar cego, saindo de casa, com a mulher, numa situaçãozinha curiosa, você já ficaria amigo dele. Quando ele cega, você tem pena: “Pô, aquele cara tão legal! Hoje era aniversário, ele estava preparando aquela surpresa para a mulher e agora vem isso!”. O filme não tem isso. É daquele momento para a frente.

FOLHA - Como foi a experiência de desagradar no Festival de Cannes?
MEIRELLES - Foi uma surpresa. A [revista norte-americana] “Variety” disse que o filme não deveria ter sido feito. É mais que desagradar. É uma agressão. Nunca tinha passado por algo tão forte assim. Na verdade, não li as críticas. Foram me falando. Fui para Lisboa dois dias depois da sessão em Cannes. Aí, sim, fiquei muito ansioso. Pensei: “Esse filme não é o que eu pensava. Agora vou mostrá-lo para o Saramago e tudo estará acabado”. Aí foi aquela reversão de expectativa [a reação do escritor ao filme está em vídeo no Youtube]. Recobrei a confiança. Peguei o pulso do filme de novo.

FOLHA - Após sessões-teste com público no Canadá, você decidiu suavizar as cenas de estupro. Em Cannes, parte dos críticos disse que o filme não retrata o horror descrito no livro. Arrependeu-se de haver suavizado a violência?
MEIRELLES - Não me arrependi. O filme não é para crítico. É para público.

FOLHA - Não é um filme de arte?
MEIRELLES - Não. É um filme de entretenimento inteligente. Não é um filme de estúdio. Tenho o corte final, mas é preciso ter responsabilidade com o investidor. Custou US$ 24 milhões [R$ 41,4 milhões]; tem que ter público. Ninguém espera que seja um blockbuster, mas tem que fazer uns US$ 20 milhões [R$ 34,5 milhões] nos EUA e uns US$ 40 milhões [R$ 61,1 milhões] no resto do mundo, senão não se paga.

FOLHA - Você disse que o filme não é para críticos e que não lê críticas. Qual é sua relação com a crítica?
MEIRELLES - É aquela velha história: se a crítica é boa, você fica se achando. Se é ruim, fica mal, desanimado, desestimulado. Então decidi que leio crítica de outros filmes, dos meus, não.

FOLHA - Uma visão mais otimista classifica a crítica como “um diálogo entre pessoas inteligentes”. A crítica no Brasil não é inteligente e não lhe ajuda a pensar sobre sua obra?
MEIRELLES - Acho que é muito inteligente e adoro falar dos meus filmes diretamente com os críticos. Gosto quando, num debate, o cara me desafia. Mas a crítica em jornal é quase uma sentença. Está escrito e não há direito de resposta.

Por Silvana Arantes, da Reportagem Local.

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No Brasil, diretor mira público via TV

Com “excelente experiência” em minissérie que realiza para a Globo, cineasta diz que não pensa em fazer filmes no país

Embora escolha TV, diretor refuta diagnóstico de crise de público no cinema brasileiro e tenta “empurrar” produção nacional ao mercado externo

Neste trecho da entrevista, Fernando Meirelles avalia que a atriz Julianne Moore tem chances no Oscar com seu papel em “Ensaio sobre a Cegueira”, porque a Academia de Hollywood “às vezes faz justiça”; fala sobre a pressão do sucesso e aborda sua relação com TV e cinema no país.

FOLHA - Você disse que vai dirigir apenas para a televisão no Brasil e que, no cinema, fará sempre projetos internacionais. Por quê?
MEIRELLES - Falei isso embalado pela excelente experiência que tem sido fazer [a minissérie para a Globo] “Som e Fúria”. Está sendo tão bom fazer TV. Para que vou fazer cinema? Minha motivação maior é público. “Som e Fúria” provavelmente será visto por 12 milhões de pessoas, sendo pessimista. Se eu fizesse o filme de maior sucesso nos últimos 30 anos no Brasil, não teria esse público. [O maior sucesso nacional desta década, “Dois Filhos de Francisco” (2005), teve público de 5,4 milhões.] Mas vamos relativizar. Falo isso, mas, daqui a dois anos, posso estar fazendo um filme aqui no Brasil.

FOLHA - Os pífios resultados de bilheteria dos filmes brasileiros neste ano demonstram a falência do projeto industrial de cinema no país?
MEIRELLES - Acho que não. Este ano ainda não acabou. Alguns filmes podem reverter a porcentagem [do produto nacional] do mercado interno [em torno de 7%]. Todo ano há filmes para todas as faixas de público. No cinema americano também é assim. Não acho que haja falência. Ao contrário, penso que é uma indústria cada vez mais sólida, que está se consolidando com essa produção crescente ano a ano.

FOLHA - Você foi apontado como o 20º diretor latino mais poderoso do mundo pela revista “Hollywood Reporter” em 2007. É a melhor colocação de um brasileiro. Para que serve esse poder?
MEIRELLES - Botar o cinema brasileiro no mercado internacional é minha bandeira. Estou tendo a possibilidade de produzir filmes de diretores novos, indicar colegas para fazer filmes fora, fazer formação de roteiristas aqui. Se eu der alguma contribuição para o cinema brasileiro, vai ser no sentido de trazer um pouco o cinema internacional para cá e empurrar um pouco o nosso para o mercado externo.

FOLHA - Por causa da fama, sente-se pressionado a não errar?
MEIRELLES - Talvez por mim. Mas a pressão para não errar não é tão grande quanto minha vontade de experimentar coisas. Não deixo de me arriscar porque posso vir a errar. “Ensaio sobre a Cegueira” é prova disso. Tinham me oferecido projetos mais seguros, mais fáceis. Tenho essa tendência de ir para a coisa mais arriscada.

FOLHA - Seus dois filmes anteriores somam oito indicações ao Oscar. Qual é sua expectativa para este?
MEIRELLES - Acho que este não tem muito a cara do Oscar. É um filme mais autoral. Por outro lado, a [atriz] Julianne [Moore] está sempre mencionada nas listas prévias. Se alguém tiver alguma chance nesse filme, é ela, até porque já foi indicada quatro vezes, nunca ganhou e fez um trabalho sensacional em “Ensaio sobre a Cegueira”. A Academia tem isso. Às vezes, eles fazem justiça.

FOLHA - Depois de “Cidade de Deus”, você se voltou a um modelo de produções internacionais de orçamento médio e declinou das superproduções? Ter o corte final é condição para que faça um filme?
MEIRELLES - Sim. Não vou dizer nunca, mas acho que dificilmente vou topar um projeto em que não tenha o corte final.

Por Reportagem Local.

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Frases

“Está sendo tão bom fazer TV [a minissérie “Som e Fúria”]. Para que vou fazer cinema? Minha motivação maior é público”

“Se alguém tiver alguma chance [no Oscar] nesse filme, é ela [Julianne Moore], até porque já foi indicada quatro vezes, nunca ganhou e fez um trabalho sensacional em “Ensaio sobre a Cegueira”. A Academia [de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood] tem isso. Às vezes, eles fazem justiça”

FERNANDO MEIRELLES
diretor de “Ensaio sobre a Cegueira”

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Crítica

É um “filme de arte” sem vôo autônomo

Fernando Meirelles esquivou-se bem da armadilha maior que a indústria do audiovisual lhe propunha: tornar-se, na ordem global, o cineasta da miséria, dos miseráveis e de suas causas. A isca fora lançada com “O Jardineiro Fiel”. O diretor preferiu ir a José Saramago e a “Ensaio sobre a Cegueira”, o que lhe garantiu, em termos de produção, o prestígio de um Prêmio Nobel e a identidade com a língua portuguesa (vale lembrar que Meirelles lançou-se à carreira internacional de diretor sem nunca romper laços com o Brasil -sua O2 produz vários filmes). “Ensaio sobre a Cegueira” era, no entanto, desde o início, uma tacada de risco. Em primeiro lugar, por se tratar de um texto literário com muito prestígio (talvez excessivo). Trabalho nessas condições exige fidelidade ao original e busca de imagens concretas para representar idéias abstratas como as do livro. Na história, as pessoas tornam-se cegas, sem razão perceptível. Deixam de ver. As vítimas da epidemia são confinadas em condições desumanas.

Caráter abstrato
O espectador deve refletir sobre um mundo em que guerras parecem nunca terminar ou em que a convivência foi substituída pela competição. Ou seja, idéias com que é fácil concordar, em parte porque são genéricas, mas que, por isso mesmo, não questionam grande coisa. O que constituía um real desafio na feitura do filme era o caráter abstrato disso. O cinema não se dá bem com abstrações. Transformá-las em carne e osso, respiração, objetos, era o desafio e tanto que Meirelles topou encarar. No resultado, não faltam elementos dignos: atores bem dirigidos, cuidado da produção, equilíbrio entre narração subjetiva e objetiva etc. As deficiências do filme devem-se menos a Meirelles do que a seu ponto de partida. Poderia ter sido diferente? Tendo a pensar que, com menor reverência ao texto original e maior audácia em relação ao seu meio de expressão, Meirelles teria podido ir mais longe. Temos aqui, afinal, um filme sobre a cegueira. No entanto, não se percebe nenhuma reflexão específica sobre o tema. É uma pena, porque ajudaria a tirar “Ensaio” da incômoda posição de adaptação literária de prestígio e dar-lhe um vôo autônomo e mais interessante. Como ficou, “Ensaio” resulta num filme aplicado, digno, não destituído de talento. Mas, ainda assim, não mais que um “filme de arte”. E essa é a outra armadilha de que vale a pena um cineasta escapar.

Por Inácio Araújo.

“Ensaio sobre a cegueira” é matéria na revista Veja

Publicado por admin em 10 Set 2008 | sob: Sem Categoria

Segue abaixo o recorte da matéria que fala sobre o filme “Ensaio sobre a cegueira” de Fernando Meirelles, originalmente publicada na revista Veja dessa semana.

Saramago em entrevista para O Globo

Publicado por admin em 10 Set 2008 | sob: Sem Categoria

Entrevista originalmente publicada no Blog do Bonequinho do Jornal O Globo em 10/09/08 às 8:00.

Entrevista: Saramago elogia ‘Ensaio sobre a cegueira’

saramago - saramago

Prestes a lançar “A viagem do elefante”, o 44º livro de uma carreira consagrada com o prêmio Nobel de literatura, José Saramago pede licença a seus compromissos com a prosa sempre que o assunto é a adaptação cinematográfica dirigida por Fernando Meirelles de seu “Ensaio sobre a cegueira”. Co-produção entre o Brasil, o Canadá e o Japão, o longa-metragem, estrelado por Julianne Moore, estréia nesta sexta-feira sob as bênçãos do escritor português. Desde maio, logo após a exibição da produção na abertura do Festival de Cannes, Saramago se mostrou satisfeito com o que viu. Nesta entrevista ao GLOBO, feita por e-mail, o autor de “Memorial do convento”, que completa 86 anos em novembro, chama de “brilhante” o trabalho de Meirelles na direção. Em tom de parábola, o filme fala de uma misteriosa epidemia capaz de gerar perda de visão em massa, levando suas vítimas a um doloroso processo de quarentena. Admitindo completo desprezo pela ditadura dos efeitos especiais na telona, Saramago avalia sua relação com o cinema e analisa duas graves catástrofes contemporâneas: a cegueira política e a miopia artística.

No filme de Fernando Meirelles, assim como no seu livro, a epidemia de cegueira é retratada como uma catástrofe, servindo como metáfora para desarmonias sociais contemporâneas. O que significa ser cego no mundo pós-11 de Setembro?

SARAMAGO: Já estávamos cegos antes do 11 de Setembro. O mundo é muito maior que Nova York, e o terrorismo é apenas um dos males de que a Humanidade tem sofrido desde sempre e quem sabe se para sempre. Peço perdão pelo que o termo “apenas” possa parecer restritivo. Se não nos limitássemos a olhar, se víssemos de fato o que temos diante dos olhos todos os dias, se tudo isso tivesse um efeito real na nossa consciência, então não poderia haver nada capaz de deter o movimento geral de protesto que se desencadearia a escala mundial contra o terrorismo da al-Qaeda, mas também contra essa enfiada maldita de calamidades que fizeram deste mundo um inferno, o único, porque é impossível que haja outro como este. Costumo dizer que o ser humano é um animal doente. Os fatos o confimam. Quanto ao “Ensaio sobre a cegueira”, sou o primeiro a dizer que não passa de uma pálida imagem da realidade.

Logo após a exibição de “Ensaio sobre a cegueira” em Cannes, em maio, o senhor exaltou as qualidades do filme. Hoje, como o senhor avalia o trabalho de Fernando Meirelles na transposição de seu texto para o cinema?

SARAMAGO: O resultado da adaptação de Fernando Meirelles é mais do que satisfatório. Considero-o até brilhante. O essencial da história está ali, como seria de esperar, mas, sobretudo, encontrei na narrativa fílmica o mesmo espírito e o mesmo impulso humanístico que me levaram a escrever o livro. Nem Fernando Meirelles nem eu pensamos que vamos salvar a Humanidade, mas somos conscientes de que, quer como artistas, quer como cidadãos, levamos a cabo um trabalho responsável.

O senhor conhece a obra cinematográfica de Meirelles?

SARAMAGO: Vi e apreciei como devia “Cidade de Deus” e “O jardineiro fiel”. Quando dei o “sim” a Fernando, sabia o que fazia. Suponho que os brasileiros devem estar orgulhosos de que um dos seus seja um dos melhores realizadores de cinema da atualidade. Quanto à minha relação com o cinema internacional, para além da irritação profunda que me causam os chamados efeitos especiais, reconheço que não o acompanho com regularidade. O caráter absorvente do meu trabalho de escritor distrai-me da obrigação de princípio de acompanhar de perto outras manifestações artísticas, sem esquecer a distância física a que me encontro dos grandes centros (o autor vive entre Lisboa e a Ilha de Lanzarote, na Espanha).

Além de Meirelles, o que mais o senhor conhece do cinema brasileiro? E em relação ao cinema português? O nonagenário Manoel de Oliveira, o mais importante cineasta de seu país, está entre seus “diretores de cabeceira”?

SARAMAGO: A resposta anterior já antecipou em grande parte o que poderia dizer sobre este assunto. Não sou de todo ignorante do que se tem feito em Portugal e Brasil, mas o meu conhecimento é demasiado parcelar para que me permita uma opinião fundada. Admiro Manoel de Oliveira, evidentemente, mas confesso que não está entre os que chamo de meus diretores de cabeceira.

Passados quase 13 anos da publicação de “Ensaio sobre a cegueira”, que dilemas o senhor acredita que a personagem da Mulher do Médico, interpretada por Julianne Moore, ainda sintetiza? O senhor releu o livro a fim de saber a atualidade da parábola nele representada?

SARAMAGO: Muitas das “mulheres do médico” são homens. São todas aquelas pessoas que estão conscientes do verdadeiro caráter do mundo em que vivem e que sofrem por não ver sinais positivos de mudança, mas também pela sua própria impotência perante o desastre que se tornou a vida humana. Não li o livro recentemente. Aliás, não é meu costume reler o que escrevi. Obviamente, releio as provas. Mais do que isso, não.

Qual é a maior cegueira literária do mundo contemporâneo?

SARAMAGO: Considero a literatura talvez a menos cega das expressões artísticas atuais. Em muitos dos livros que têm sido escritos, se forem atentamente lidos, encontrar-se-á, além de claras denúncias da dramática situação a que chegamos, abundante e substancial matéria de reflexão. Assim, que o leitor esteja disposto a abandonar a sua mais ou menos confortável cadeira de espectador do mundo.

O que nos espera em seu novo livro, “A viagem do elefante”, que a Companhia das Letras promete para novembro?

SARAMAGO: O meu próximo livro, “A viagem do elefante”, não é um romance, mas sim um conto, uma narrativa que, apesar das suas 250 páginas, não perde nunca a sua natureza de conto. Pelo contrário, reivindica-a. A história parece simples, o relato do que acontece a um elefante que é levado de Lisboa a Viena, mas a simplicidade, neste caso, é uma mera aparência. O leitor julgará por si mesmo.

No seu blog (http://blog.josesaramago.org), o senhor adianta que “A viagem do elefante” será uma trama coral, narrada a várias vozes. De que maneira esse enredo vai abordar a questão da solidariedade, tema que norteia “Ensaio sobre a cegueira” e vários outros livros seus?

SARAMAGO: As questões da coralidade e da solidariedade, embora presentes, são algo marginais ao miolo da história. Como é meu costume, uma vez mais, a epígrafe do livro resume e anuncia o que virá depois: “Sempre acabaremos chegando aonde nos esperam”. A frase só aparentemente é enigmática.

Três décadas após a publicação de “Objecto quase”, livro que marca sua estréia como contista, o senhor retoma o fomato em seu novo livro. O senhor pretende continuar a investir nos contos?

SARAMAGO: Não creio, ainda que me tenha atrevido a chamar conto a “Viagem do elefante”… De todo modo, tomo nota da sugestão.

Por Rodrigo Fonseca.

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