Quinta, 19 de Novembro de 2009
Arquivo Diário
Opiniões, impressões e digressões do time de profissionais da produtora O2 Filmes
Arquivo Diário
Publicado por admin em 19 Nov 2009 | sob: Sem Categoria
Confira matérias que foram publicadas nos sites G1/Uol Cinema e no CineWeb, respectivamente, no dia 19 de Novembro de 2009.
Fernando Meirelles lança versão para cinema de ‘Som e Fúria’
Longa condensa quatro dos oito episódios da série original. Elenco reúne Pedro Paulo Rangel, Felipe Camargo e Andrea Beltrão.

Seguindo o mesmo caminho de produções como “O Auto da Compadecida” (2000) e “Caramuru - A invenção do Brasil” (2001), a minissérie da Rede Globo “Som e Fúria” chega aos cinemas depois de exibida na televisão em agosto passado.
A versão, que estreia apenas em uma sala em São Paulo, condensa quatro dos oito episódios do original. Aqui, estão apenas aqueles dirigidos por Fernando Meirelles e Toniko Melo, que também é responsável pela nova montagem.
“Som e Fúria” é baseado na série canadense “Slings and Arrows” e, basicamente, mostra um grupo de teatro às voltas com uma montagem de “Hamlet”, de William Shakespeare. No filme, Oliveira (Pedro Paulo Rangel) é um diretor mergulhado em problemas que encerra uma apresentação de “Sonho de uma Noite de Verão” e acaba atropelado por um caminhão, num momento de crise de criatividade.
Para salvar o destino da companhia que precisa urgentemente montar o clássico, a solução é chamar Dante Viana (Felipe Camargo) para assumir o posto de diretor artístico. Ele vai montar a peça, mas existe um problema do passado, uma questão mal resolvida: no auge de sua carreira como ator, ele interpretou o príncipe atormentado da Dinamarca, mas abandonou a peça depois de poucas apresentações e entrou em decadência. Na época, ele era dirigido por Oliveira e atuava com sua namorada, Elen (Andrea Beltrão), que até hoje é a diva da companhia.
Em meio a esses fantasmas do passado, Dante precisa montar um “Hamlet” de sucesso, lidar com a inveja do diretor financeiro da companhia (Dan Stulbach), fazer um ator de televisão (Daniel de Oliveira) interpretar o protagonista da peça de forma convincente e aturar o fantasma de Oliveira, que o atormenta, mas também o ajuda várias vezes.
“Som e Fúria” tem uma história simples de bastidores de teatro. Ao tentar levar Shakespeare para a televisão, mantendo o que mais importa — seus conflitos, tramas e personagens –, Meirelles, que idealizou a versão brasileira da série, conseguiu o feito de dessacralizar o bardo sem o reduzir ao vazio das telenovelas, por exemplo. No entanto, a versão para o cinema parece não dar o tempo necessário para que tramas e personagens se desenvolvam.
Muitas pontas acabam soltas e, quando retomadas, parece haver uma cratera no meio. Exemplo: Oliveira gostaria que quando morresse seu crânio fosse doado para a companhia e servisse como objeto de cena em Hamlet. Ao saber da morte do amigo, Dante fica preocupado, pois deverá cumprir a promessa. Poucas cenas depois ele está com uma caixa térmica que supostamente contém a cabeça. O assunto morre aí. E só no final do filme o crânio é novamente lembrado.
São detalhes que mostram que o filme é o que exatamente é: condensação de uma obra maior.
Por Alysson Oliveira, do Cineweb
(As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb)
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‘Shakespeare é o cara’ e não Lula, diz Fernando Meirelles ao lançar “Som & Fúria” no cinema
“O Lula que me desculpe, mas Shakespeare é que é o cara, depois vem a Marina Silva, depois não sei mais”. Estas são as palavras do cineasta Fernando Meirelles, ao comentar a repercussão da série de televisão Som & Fúria, que ele codirigiu para a Rede Globo, exibida em agosto passado, e que agora estreia numa sala de cinema em São Paulo, em uma versão compacta de pouco mais de 90 minutos.
A nova montagem foi assinada por um dos cinco diretores do programa televisivo, Toniko Melo, ao lado de Livia Serpa e Daniel Grinspum, e conta com apenas quatro dos oito capítulos do original. “Eu achei uma narrativa central que poderia ser o condutor do enredo. Basicamente, é a história de um ator de novela das sete, interpretado por Daniel de Oliveira, que vai fazer Hamlet no teatro”, explica Melo. Essa nova versão surgiu originalmente para ser exibida num festival de televisão em Roma.
Para Meirelles, a grande sacada da série foi levar William Shakespeare para o grande público. “Fora o prazer que foi mergulhar neste universo, creio que conseguimos cumprir o que nos propusemos. Fizemos uma série que é ao mesmo tempo divertida, dramática, popular e inteligente”. No entanto, apesar do sucesso, o cineasta confessa não saber se haverá uma segunda temporada do programa. “Estávamos preparados para fazer um ‘Rei Lear’ e talvez um ‘Othelo’, mas a Globo puxou o breque de mão por enquanto.”
Mesmo assim, Meirelles e Melo esperam que essa popularidade de Shakespeare aumente um pouco mais, apesar do lançamento restrito do filme. “Como a O2 Filmes é sócia do HSBC Belas Artes [SP] resolvemos nos autoprogramar. Mas é um lançamento hipermodesto. Uma cópia do filme apenas e 15 cópias de um pôster feito quase artesanalmente “, revela o diretor de “Cidade de Deus”.
Já para Melo, fazer “Som & Fúria”, adaptada da canadense “Slings and Arrows”, foi a chance de mostrar para o público que o Bardo fala de gente como a gente. “Tentamos tirar o floreado, sem comprometer a beleza e a profundidade do texto. O filme tem a possibilidade de pegar também um público que não acompanhou o programa na televisão”.
Meirelles, aliás, mostra-se bastante empolgado com a parceria com a televisão e seus possíveis frutos. “Essa foi uma solução que encontrei para os meus filmes, mas não quer dizer que seja adequada para todo mundo. Rodar em inglês facilita conseguir o financiamento para projetos e garante uma melhor distribuição internacional dos filmes. Trabalhar para a TV aqui me permite rodar na minha língua e garante também maior número de espectadores no Brasil que um filme.”
O cineasta está bastante empolgado com essa parceria e pretende fazer outros projetos nesses moldes. Por outro lado, ele também não abre mão de coproduções com outros países. “Uma coisa é certa: quanto mais pudermos contar com o mercado internacional para a distribuição, mais portas de financiamento e possibilidades de um filme se pagar haverão. Mesmo para filmes falados em português”.
Ainda que sabendo como tocará seus próximos projetos, Meirelles demonstra-se um pouco reticente quanto a quais filmes fará no futuro. “Estou trabalhando em dois roteiros e tenho que decidir o que farei. Um mistério para mim mesmo.” Mello, por outro lado, já está montando seu primeiro longa solo, VIPs, inspirado na história verídica de um farsante que se passou por presidente da companhia aérea Gol. O roteiro é assinado por Bráulio Mantovani (Linha de Passe) e traz Wagner Moura no papel principal.
“O convite do Fernando para eu codirigir a série foi como um aquecimento para o meu longa, que já está em processo de montagem, e deve chegar aos cinemas e meados do próximo ano”, adianta Melo.