Dialogando com o novo - Segue a discussão
Publicado por admin em 01 Jun 2010 | sob: Sem Categoria
Confira abaixo novas manifestações dos profissionais do mercado de cinema sobre “O Método”. Mensagem recebida por Fernando Meirelles, enviada por Chicão:
Pertencendo eu ao grupo ao qual o Umberto Martins se refere, àqueles com dores na cervical, receber um e-mail como este parece um SONHO. Enquanto muita produtora segue no empurra-empurra entre o pessoal da produção/ filmagem vs. pessoal da pós/ finalização, aqui foi tomada uma postura OFICIAL frente à era dos filmes rodados em digital. Parabéns.
Mas, na realidade, o elogio serve para preceder minha opinião - afinal o tema foi colocado em aberto para todos, certo?
Para poder discorrer sobre esse assunto, talvez seja melhor eu partir do texto já existente sobre o Método. Acho mais fácil fazer observações sobre o que já foi colocado.
A primeira decisão: De hoje em diante todo mundo usa os mesmos números. O som direto canta a cena, o número do cartão e o número do clipe não mais a cena, o rolo, e o take. “- Cena 4, cartão 2, clipe 23…ação.”
Excelente idéia. Acho que poderia ser aprimorada se fosse criado um sistema de CATALOGAÇÃO de cartões. Seria útil basicamente em duas circunstâncias: 1) em filmes rodados com mais de uma câmera 2) em filmes com mais de um MODELO de câmera.
Vamos supor uma situação realista: um job rodado com uma RED, uma 7D para slow e duas 5D. Nomenclaturas como “Cartão 1″ , Cartão 2″, etc. talvez seja pouco para dar nome aos bois. E se criássemos uma nomenclatura do tipo:
NOMEDOJOB_CAMERA_NÚMERODOCARTÃO
Digamos que esse job fosse o Nando fazendo mais uma campanha de Sky, neste caso poderíamos ter os seguintes cartões:
SKY_RED_Cartão01
SKY_RED_Cartão02
SKY_RED_Cartão03
—-
SKY_5Dcam1_Cartão01
SKY_5Dcam1_Cartão02
—-
SKY_5Dcam2_Cartão01
SKY_5Dcam2_Cartão02
—-
SKY_7D_Cartão01
SKY_7D_Cartão02
(Percebam que, como havia duas 5D, usei um artifício para distingui-las - “cam1″ e “cam2″).
Isso se tornaria especialmente útil nos casos em que o montador acompanha a filmagem - e viu o que cada câmera estava captando. Para se achar na edição seria muuuito mais fácil: se um take que lembro ter gostado está na RED, basta olhar para a o nome da pasta/cartão para saber onde procurá-lo. Aliás, daria pra ir mais fundo nesse método, talvez utilizando um bin para cada cartão de cada câmera… Bom, isso eu deixo em aberto.
Pra concluir, um método assim não impede obviamente a reutilização dos cartões para outros jobs no futuro - a cada trabalho eles seriam renomeados de acordo. O lado ruim: não sei como ficaria por exemplo para o áudio “cantar” os cartões, talvez os nomes se tornem demasiadamente compridos. Mas, no geral, a nomenclatura me parece uma boa ideia.
A segunda decisão: Voltar aos anos 60 quando no set o diretor tinha que dizer ” Copia”, ao final de cada take que lhe parecesse razoável. O assistente escreve na planilha e passa para o loger selecionar o que vai para a montagem.
De fato, isso seria de GRANDE ajuda. Até mesmo naqueles trabalhos cuja natureza meio “videoclipistica” torne tudo passível de ser utilizado; que ao menos o diretor deixe de dizer “Copia” apenas para algo CLARAMENTE ruim/errado.
Isso também me leva a crer que deva haver uma conversa prévia entre o assistente responsável pela planilha e o montador. Sabemos que este nem sempre pode acompanhar a filmagem. E, conhecendo a natureza do job e o que o diretor pretende filmar, o montador pode passar algumas instruções para o assistente e daí talvez este não separe como “lixo” alguma coisa que possa ser útil (e que talvez nem o diretor tenha pensado no aproveitamento daquele material). No mínimo um TELEFONEMA já é de grande valia.
A propósito: um dos pontos altamente POSITIVOS do digital seria essa obrigação de uma conversa maior entre partes que muitas vezes mal sabem o nome uma da outra. Adoraria poder trocar mais ideias com gente que não apenas o diretor, e este “case” do assistente x logger x montador é bom exemplo.
A quarta decisão: Corte sempre após cada erro ou entre cada novo take. Perde-se um tempinho no set e salva-se um tempão em todo o resto do processo.
Ótimo! Ótimo! Interessante na minha experiência é que a maioria dos diretores que conheço já perceberam isso e têm se dado ao trabalho de apertar rec/pause - para a felicidade da galera da pós em geral. Mas às vezes outras pessoas do set, que até acham importante isso, “por via das dúvidas” preferem deixar rolar a câmera… Recentemente trabalhei em um job desses 100% digital onde a câmera do diretor originou vários clipes (ok, sempre cortou, maravilha!) mas a do diretor de foto tinha uns poucos clipes que iam de quatro e quinze minutos (para termos que importar todos, muitas vezes por causa de um take que valeu apenas alguns segundos…). Talvez o raciocínio em voga seja: se até então os montadores vêm conseguindo se sair vitoriosos nas missões de trabalhar com clipes tão longos, porque se arriscar a perder um momento na filmagem com esse “corta/rec/corta” e ficar “queimado” com o diretor? Não será melhor pecar pelo excesso do que arriscar perder um momento mágico na filmagem?
Ora, esse Método que estamos discutindo é a prova CABAL do porquê. Estamos falando do uso de tempo, dinheiro e maquinário de toda uma produtora. Acho que, uma vez solidificado o Método (em tempo: acho interesante se referir ao Método com letra maiúscula, pegando carona na analogia ao do Actor’s Studio hehe…), ele deveria ser passado para pessoas da produção também, para incentivar e tornar mandatório o corte entre os takes. Ponto.
Sobre o Método, era isso!…
E por fim, pegando carona no texto do Umberto… Vocês já viram a última versão do AVID, lançada há algumas semanas? Trabalha com o .h264 da 5D sem conversão entre outras belezinhas… Penso o seguinte - e a agora desfraldo a bandeira do Umberto, de entusiasta do Avid: se basicamente tudo que foi dito aqui versa no fundo sobre economia de tempo e de dinheiro, por que não o Avid? É mais caro? Sim, mas existe uma RAZÃO para ele custar esse mais… Já pensarem em fazer uma pesquisa com os montadores, como aquela que o Umberto disse ter sido feita na Argentina? Fica lançada a ideia…
Abraços a todos
Chicão
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Valeu Chicão,
Grande contribuição,
Amanhã temos outra reunião aqui na O2 sobre a implantação deste Método e vou tentar acrescentar sua idéia dos nomes dos cartões.
Quanto a incentivar a conversa entre o montador e o assistente que faz o relatório de gravação também é muito bem vindo.
Nosso próximo passo será criar um padrão para o arquivamento de imagens nas ilhas de edição de uma forma que qualquer um encontre o que for preciso. Hoje cada montador cria seu padrão e a turma da pós às vezes fica vendida. Vou pedir para a Fabi tentar armar uma reunião dos montadores para isso.
Obrigado pela ajuda.
Acho que vai dar trabalho colocar todo mundo no mesmo trilho, mas chegaremos lá.
abraços
Fernando
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