O Método - Discutindo o tema
Publicado por admin em 09 Jun 2010 | sob: Sem Categoria
Email enviado por Cacau Rhoden para Fernado Meirelles:
Caros colegas,
Serei breve para não ser repetitivo com o assunto já em bom andamento. Restabelecer o método talvez seja o ponto crucial da conversa. Não há dúvida que ele se perdeu por muitos fatores. Tornar mais sistemáticas as filmagens como eram anteriormente só trará benefícios a todos os departamentos. Principalmente ao de finalização, maior prejudicado com isso.
Concordo também que não cabe aos assistentes de direção desempenharem essa função, por questões óbvias. Isso inevitavelmente seria um acumulo prejudicial as outras funções atribuídas e de responsabilidade dos assistentes de direção.
Sabemos que filmes tem tamanhos variados de produção, o que significa na minha opnião que será necessária a inclusão de um profissional capacitado que seja responsável apenas por essa função, pois a experimentação deste método através do 2ºassistente de direção pode funcionar em alguns filmes, como tenho certeza que não vai funcionar em produções de tamanho médio e grande sem prejudicar o restante das outras atividades no set.
O 2º assistente de direção tem funções muito bem definidas que vão muito além de dar apoio ao 1º assistente de direção.
Não vou exemplificar aqui as funções dos assistentes de direção por não ter a menor necessidade, mas acho que muitos vão concordar comigo.
Tenho certeza que a relação custo/benefício da contração desta “figura” nas filmagens, que eventualmente pode ser alguém que acompanhe a finalização, talvez uma pessoa desse departamento ou do de câmera, não irá comprometer a viabilização dos projetos e provavelmente se as cifras citadas na proposta de Fernando Meirelles, forem estas, essa cargo trará segurança de economia. Temos que lembrar que muitos cargos foram extintos com as transformações tecnológicas e outras foram criados. Será esse o nascimento de um novo tipo de técnico cinematográfico? A discussão é muito pertinente e acho que deve ser feita com seriedade, comprometimento e participação de AD’s, Finalizadores, Diretores, Equipe de Cameras, Produtores, enfim a qualquer técnico envolvido direta ou indiretamente. Também acho que se for necessário teremos que experimentar algumas formas de resolver isso até acharmos o ideal.
A proposta/método de Fernando Meirelles traz uma luz ao cotidiano nos sets, tão abalados por falta de método e a frase que mas me encantou foi: …filmagem não é pescaria…..
Concordo, estou absolutamente a disposição para qualquer discussão sobre esse tema e qualquer outro que torne nosso ofício mais nobre novamente.
Muito Obrigado!!
Um Grande Abraço a todos.
Cacau Rhoden
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Email enviado por Fernando Meirelles como resposta para Cacau Rhoden:
Cacau,
A idéia do assistente de direção ser o responsável é apenas por vocês serem a voz de comando no set. Acho que é impossível vocês terem que anotar, mas se assim que disserem “CORTA”, acrescentarem; “loga ou não loga? “para que o diretor se posicione, o trabalho está feito. O diretor diz “loga” e seja lá quem estiver anotando, anota. Só isso.
Vamos testar este jeitão ainda sem aumentar a equipe, e se não estiver funcionando vamos mudando.
abraços,
Fernando
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Email enviado por Danielle Pedroso.
Olá a todos
Achei bacana o própósito, acho que quanto mais organizado, melhor, e agradeço também a aula e iniciativa, Fernando, mas concordo com a Gabi e a Bel em alguns dos pontos que expuseram.
Acredito que um bom segundo assistente daria conta de fazer “também” um boletim de câmera, porém concordo com a Gabi com a questões expostas. Pra um 1º ass tocar um set direito, é difícil se preocupar com anotações com tantas prioridades na correria, e muitas vezes, por diminuição de orçamentos, não conseguimos ter nossos segundos, já que temos que tirar dos nossos cachês para tê-los. Se os cachês fossem desmembrados, e os 2ºs primordiais (como são pra gente) pro filme, pro set, acho q o trabalho seria mais focado sim, mais organizado, e com certeza todos aprenderiam muito mais. Além de trabalharem mais felizes! hehehe Acho bem legal que o método se aplique a nossa categoria, até porque com todo sentido é a ligação diretor -montador, mas acho q acúmulo de funções (pra categoria) requer muita organização, boa remuneração pra todos (afinal as responsabilidades aumentam), treinamento e competência.
Agora, como a Bel expôs a questão diretores, e eu concordo também, queria só ressaltar que cada um é cada um, tem diretores q talvez não resolvam no ato, na pressão, se querem este ou aquele take no select, ainda mais se a diáiria for louca e corrida, e daí, fica difícil, né…a gente tenta, com certeza…
E ainda com relação a isso: quando estamos filmando em locação, com muitoooos deslocamentos por dia, sem ter tempo para ir ao banheiro direito, será que vamos conseguir parar pra fazer o diretor avaliar, se quer esse take no select, ou não?! Mesmo com toda a formação do método, o “anotador”, a boa vontade, no calor da hora, pode ser que alguns diretores não queiram ter essa preocupação a mais na diária…
Acho bem importante eles também estarem por dentro de tudo isso, e exporem também suas opiniões, necessidades, pra gente não dar início a um processo evolutivo que depois não resulte em nada, só em excesso de informação, e caia no buraco negro da tentativa e esquecimento.
Acredito que vá acontecer também do método se adequar a cada diretor, dentro do modo de cada um trabalhar. Mas eles tem que estar conscientes!!
Vamos lá! aguardo notícias do front!
valeu
abr
Danizinha
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Email enviado por Fernando Meirelles, em resposta à Danielle Pedroso.
Danielle,
Na verdade este select feito no set não é um select de montagem, é apenas para tirar os takes que claramente não poderiam ser usados, que o ator errou o texto, que o tempo passou muito longe do que deveria, problemas de foco, de movimento. Só tirando isso do que chega na produtora acho que o material cai para 1/3. Take que foi atee o final, correto técnicamente entra. Não ha 1 segundo de avaliação e nem revisão. É pá e bumba. Ao menos é como vejo.
Valeu o interesse.
bj
Fernando
*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*
Email enviado por Marcelo Guimas.
Prezados amigos,
Lendo atentamente o email do Fernando e algumas respostas de colegas AD, gostaria de levantar alguns pontos:
1) Realmente chegou a hora de voltarmos a ter no set, a disciplina na geração de material captado, que tínhamos quando usávamos apenas película;
2) Concordo que para a captação em formato digital, deveremos desenvolver novos mecanismos com as nomenclaturas atuais, como a criação de novas claquetes por exemplo;
3) O relatório, ao meu ver, deveria ser algo padronizado e impresso, eliminando assim formatos diferentes para cada equipe. Creio que isso, com o tempo, também ajudará na leitura imediata desses relatórios na ilha de edição;
4) Me pareceu bem pertinente a proposta da Bel Valiante de formarmos o profissional responsável pelo preeenchimento do relatório. Não creio que conseguiremos resolver questões tão relevantes, simplesmente delegando mais essa função ao AD. Imagino que essa pessoa seja um profissional que intermediará no set os departamentos de direção e finalização. Para tal, num primeiro momento, poderíamos pensar em alguém que seja contratado e pago pela diária de captação (como se faz com membros da equipe de câmera por exemplo).
Quanto aos outros assuntos comentados, como voltar a cortar os takes, informar se serão válidos ou não, tudo isso nada mais é do que voltarmos para onde nunca deveríamos ter saído.
Coloco-me a disposição para reunião, conversas, encontros, tertúlias, o que for necessários para aprimorarmos nossa forma de realizar os jobs.
Un saludo a todos.
Marcelo Guimas
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 125
[…] O Método – Discutindo o tema […]