Email enviado pela assistente de direção, Flávia Zanini:

Fernando, Celia, Vecchi e colegas Ads,

Sexta e sábado foram os meus primeiros dias de filmagem sob a vigência do “Método” e gostaria de expôr a minha experiência e impressão.

Acredito que a minha filmagem se enquadraria no quesito “fácil”. “Gravei” em sets super controlados, com uma camera 5D, sem som direto e sem figuração.
Com essa realidade, pude disponibilizar a minha 2AD para ficar ao meu lado o tempo todo anotando os clips a serem logados, conferindo se a claquete estava correta e confirmando com o logger que o material que havia sido gravado estava completo e coerente com o boletim.

Ainda assim, numa situação ideal, alguns problemas foram encontrados. A 5D não possui o número do clip aparente no visor e por se tratar de uma máquina fotográfica, muitas fotos são tiradas ao longo do processo de enquadramento e afinação de luz. Portanto, faz-se necessário, o tempo todo, a checagem de clipe. Ocorreram vezes em que o DP tirou uma foto logo antes de rodar, sem que o AC tenha percebido e a numeração de claquete e boletim passam a não sincronizar com a da camera. Isso gera um boletim errado, o que faz o logger, capturar o número de clipe errado.

Para que esse erro não se prolongasse por muito tempo, passamos a trocar o cartão ao final de cada cena. A minha 2AD então ia, junto com o logger, checar a numeração.

No mundo ideal, como foi o meu caso, o Método não foi impossível de ser realizado, mas consigo ver que numa filmagem com mais elenco, mais câmeras, será necessária uma pessoa somente para esse trânsito. É impossível tocar camarim, adiantar elenco e figuração da próxima cena e ainda assim, continuar a checar o clipe, a claquete e se o material logado bate com as informações do boletim. Numa situação como essa, nem transferindo a dor nas costas do montador para as pernas do 2AD, essa correria vai ser eficiente! Talvez um continuista , nesses casos, seja mais apropriado e deveria ser pensado já no estágio de orçamento.

De qualquer forma, o que eu percebi é que ficou mais consciente a necessidade de “cortar”. Então quando o diretor começa a instruir o ator durante o take, mesmo que seja rápido, a camera é cortada e o próximo clipe, claquetado. De qualquer forma, não foram todas as cenas que claquetamos “clipe a clipe”, principalmente quando estávamos filmando com criança. Sem cortar, íamos fazendo “mais uma e mais uma”. Acho também que, nesse caso, utilizar-se da tecnologia ao seu favor, faz sentido. É melhor não cortar e não perder a concentração da criança do que o inverso.

Muitas vezes, ocorria do diretor ir pedindo para logar, logar, logar e quando encontrava um take melhor, me dizia: “apaga todas as anteriores e vamos ficar com essa”.

Como o “Método” é o assunto do momento nos sets, é possível utilizar-se disso ao seu favor. Muitas vezes, em tom de brincadeira, eu dizia: “Gente, olha o Método!”, “Registra o Método” e a aceitação em registrar a claquete, take a take, fica menos chata e mais lúdica!! Mais uma vez, no meu mundo controlado, funcionou. Já no mundo lá fora…

Também estou a disposição para qualquer reunião, bate-papo, etc, etc…

Um beijo a todos.

Flavia

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Resposta dada pelo coordenador de efeitos da O2 Pós, Carlos Vecchi, ao email de Flávia Zanini.

OI Flavinha, agradeço seu feedback, pois vai ajudar muito no ajuste no método. Na filmagem de Sky no mesmo dia também notei algumas coisas que precisamos mudar, como por ex. seguir o número do clip não dá segurança, mas para resolver vamos atribuir isto ao loger, pois até eles acham mais seguro e tbm podem controlar melhor.
Outra coisa tanto no seu filme quanto no meu sé tinha uma camera. Quando filmarmos com 3 câmeras, a claquete será muito confusa, com um número de clip para cada câmera na mesma claquete, para resolver isto acho melhor usar o velho TAKE. Inclusive para o audio vai ser melhor.

Fernando, na nossa reuniao com a Fabi e o Tomas decidimos que teríamos 3 HD’s no set, 2 espelhados e um só com o select, mas na ultima hora mudei para: 2 como um espelho e o select ficou numa pasta, num deles, fazendo assim o loger pode checar todo o material bruto entes de fazer o select e no final só cria uma pasta num dos HD,s.

Eu gostaria de marcar uma outra reunião antes de padronizar o método com as seguinte pessoas:

2 loger’s
1 Assistente de direção
1 Assistente de pós
1 Finalizador
Coordenação de pós
LTO

Fora isso estou conversando com assistentes de câmera, pessoal de audio e montadores.

Depois desta reunião vamos vamos escrever as regras mantendo o que vc ja fez só ajustando estes detalhes.

PS.: O PROPÓSITO: MATERIAL MAIS ENXUTO E CONTROLADO ESTÁ SENDO CUMPRIDO.

ABRAÇOS!!!

Carlos Vecchi